Maternidade, naturalmente!

Podia dizer que escolher a Cristina para minha doula foi uma escolha consciente, mas a realidade é que foi bem mais do que isso: foi uma escolha intuitiva. Visceral até!

É verdade que a sua experiência profissional, os seus conhecimentos técnicos e científicos e a vasta rede de profissionais de confiança com quem trabalha me impressionaram, mas esses foram os detalhes que serviram para que a minha mente racional concordasse com a escolha que o meu instinto já havia determinado.

Há um misticismo sublime no seu olhar. Acho que foi ele que me fez viajar no tempo. Levou-me para dentro de uma tenda vermelha. Com incensos. Especiarias. E óleos essenciais. Um lugar ancestral, onde mulheres sábias apoiam outras mulheres. Falam-lhes com naturalidade sobre os seus corpos e as suas transformações. Acolhem a sua intensidade e transformam-na, com brandura, em poder. E tudo isto, num ambiente de pura intimidade. Serenidade. E entrega.
Quando a Cristina me tocou pela primeira vez, pude sentir-lhe nas mãos a brandura que já lhe havia detetado na voz: a de quem reconhece a delicadeza e o encanto de uma mulher grávida. Só outra mulher pode dar-nos isto. E a Cristina fá-lo guiada por uma força maior do que ela.

Foi por isso que no dia do parto não havia uma única célula do meu corpo que duvidasse das suas decisões. Essa confiança permitiu-me entregar a minha racionalidade nas suas mãos. E foi isso que me deixou entregue ao momento. A serenidade e a segurança que me transmitiu, fez-me largar as amarras e ir para mar aberto. Eu sabia que ela me ampararia, para onde quer que a maré me levasse. E sabia que estava tudo bem em deixar-me ir. Que era para ser assim. E que assim como era, estava bem. Ela guiava-me e eu ia. De olhos fechados e peito aberto. Sem questionar. Sem temer. Vulnerável. Humilde. À mercê dos elementos. Mas escudada. Amparada. Abençoada. Ela era a minha bússola. O meu norte .

A minha memória esmoreceu muitos detalhes. De tal modo que, a partir de certa altura, só me recordo de mim mesma e das minhas batalhas internas. Como se estivesse só eu. E o meu bebé. Na nossa travessia. E talvez seja essa a magia da tenda vermelha: um portal que nos transporta para outra dimensão e nos torna unas com o universo. Que nos permite a metamorfose da lógica para a animalidade. Do medo para a transcendência. Da reverência para a exaltação. Ao ponto de não precisarmos de absolutamente nada, nada nem de ninguém, além de nós mesmas, para fazer nascer os nossos filhos.

Obrigada Cristina, minha firme e doce fada.
Obrigada minha sábia anciã de olhos negros.
Meio cigana. Meio celeste. Meio profana.